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July 20 EUGÊNIO DE CASTRO - 1869-1944
Poeta pessimista, um dos introdutores do Simbolismo em Portugal. Brilhante imaginação, imensa facilidade de expressão. Personalidade ímpar das letras portuguesas.
Descendente de família de literatos que teve origens conhecidas em Sá de Miranda.
Era amplamente favorável à poesia obtida à custa de trabalho planejado, artesanal.
O soneto que se segue é dedicado à sua primogênita, "Violante Maria Luisa". Estava longe de supor que a filha viesse a morrer antes dele, como aconteceu:
Acorda cedo como os passarinhos
e vem logo direita à minha cama;
sacode-me com jeito, por mim chama
e abre-me os olhos com os seus dedinhos.
Estremunhado, zango-me. - "Beijinhos,
não quer beijinhos?" - com voz de ouro exclama.
Da minha ira empalidece a chama,
e, acarinhando-a, pago os seus carinhos.
Senhor! Que amor de filha tu me deste!
Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos,
dá-lhe a Virtude por amparo e guia!
e destina também, ó Pai celeste,
que a mão com que ela agora me abre os olhos,
seja a que há-de fecharmos algum dia!
Foi escrito por Eugênio de Castro, também,
este belo soneto
"Luís":
Não peço para mim! Foram baldadas,
foram vás minhas súplicas, Senhor!
Eu que um trono sonhei, fiquei pastor
de gado triste em serras escalvadas!
Eu que cegara, moço, vendo ateadas
as chamas da ambição, de astral fulgor,
contemplo agora, em frêmitos de dor,
um montão só de cinzas apagadas.
Não me queixo, e a teus pés todo me humilho!
Mas se mereço um prêmio, porque esteja
tão resignado e dócil como estou,
compensa o pai humilde, erguendo o filho:
dá-lhe o que me negaste, e que ele seja
aquilo que eu quis ser e que. não sou!
. DOMINGO DOS REIS QUITA - 1728-1770
Órfão de pai, aos 13 anos, teve de ser aprendiz de cabeleireiro,
mal ganhando para se manter e sustentar os seus familiares.
Muito lhe adiantou a leitura das obras de Camões e de Francisco Rodrigues Lobo, dos quais era admirador.
Com a proteção do conde de São Lourenço, pôde abandonar a modesta carreira que abraçara; e foi um dos fundadores da "Arcádia Ulissiponense", da qual também participaram Correia Garção e Cruz e Silva, entre outros nomes então muito ilustres.
Poeta lírico, era considerado por Almeida Garret o melhor bucólico português.
Apresentamos um de seus sonetos:
Pelo campo cantando vai contente
o Lavrador seguindo o curvo arado:
e canta na prisão o desgraçado,
ao triste som de uma áspera corrente.
Aquele, canta alegre, e docemente,
nas suaves pensões de seu Estado;
este, só por vingar-se de seu fado,
com o Canto disfarça o mal que sente.
Eu também já em doces alegrias,
qual Lavrador, cantei nesta espessura,
sem conhecer do Fado as tiranias:
porém hoje de Amor na prisão dura,
com o Canto disfarço as agonias,
por vingar-me de minha desventura.
. July 13 TOMÁS RIBEIRO - 1831-1901
Poeta suave e de grande inspiração.
Autor de "D. Jaime", obra das mais estimadas da língua portuguesa. Formado em Direito, ocupou posições de grande relevo na política e na administração pública do país. É de Tomás Ribeiro este belo soneto:
Nunca choras, mulher! Sempre o teu rosto,
formoso como um sonho de Ticiano,
há-de esconder esse tremendo arcano
que te consome a vida em tal desgosto!
Nunca! pois nunca, ó divinal composto,
vogando à beira do saudoso oceano,
perla de amor, em teu martírio insano,
beijar-te vem às horas do sol-posto?!
Ai, chora uma só lágrima na vida!
A gota rosi-argêntea das auroras
caia em tua alma triste e ressequida!
Às tuas negras, ermas, cruéis horas,
desça orvalho do céu! Chora, querida!
Tenho medo de ti! Por que não choras?
. VIRGÍNIA VITORINO - 1898-1967
Uma das mais populares poetisas de Portugal.
Sonetista notável. Alma vibrante e plena de sentimento.
Escritora de teatro, professora.
Reproduzimos, a seguir, um lindo soneto de sua autoria:
Não venhas ver-me, não! De que servia?
Nem eu tenho coragem para tanto.
Gostava muito, sim, mas todo o encanto
da tua grande ausência acabaria.
É tornar-te a perder. Num certo dia,
tu partes novamente, e todo o pranto,
ou pouco ou muito - não importa quanto -
nunca o compensa uma hora de alegria.
Mas se eu não posso ter outro desejo!
Se eu, não te vendo a ti, nada mais vejo!
Como é que, sendo assim, não te hei-de ver?
Responde-te a minha alma comovida:
- Vale mais ter um mal por toda a vida
do que alcançar um bem para o perder.
. June 15 ORAÇÃO
Vou Partir no Sonho...
June 12 MANHÃ DOURADA
NOITE PEREGRINA
Noite Peregrina ...
Peguei meu bordão de peregrino
Seco de tantos estios,
Que por ele passaram,
Inerte que esteve,
Durante tantos sóis e tantas luas ...
Nada levo sobre a carne nua,,.
Porque nasci !
E ninguém vem ao Mundo vestido !
Caminhei , sem Norte
Não havia Estrela Polar,
Nem Cruzeiro do Sul .
A Lua não era azul,
Mas brilhava como o Sol,
Tudo era novo ...
E, eu , crescia,
E à minha mente afluia ,
Sentimentos e emoções ...
Olhei-me e não gostei ,
E o Criador ,
De mim se compadece :
O bordão refloresce
E da videira que foi,
Uma parra brotou
E com ela meu pudor tapei .,.
Porque o fiz ?
Não sei !
Depois, vieram as heranças do tempo,
Do Tempo em que escrevia
E lia ...
Talvez o "Inferno", de Dante ,
Ou as "Viagens do Infante",
Lembranças do Mar ferido
Pelos remos da minha jangada ...
Ou da terra ofendida,
Pela palavra errada ...
Colhi letras esparsas,
Tentei fazer um poema ...
Faltava-me o tema !
Que pode um peregrino versar,
Com semelhante luar,
Com os “ais” do Mar
E da Terra ofendida ?
Nem tenho percurso de vida,
Porque mesmo agora nasci ,
E já envelheci ,
Tenho uma mão cheia de nada ...
Letras esparsas, que tento rimar,
Talvez com o verbo amar,
E com ele fazer um verso ...
Que seria controverso,
Porque amar é sofrer
E se acabo de nascer
E já envelheci ,
De tudo que conheci,
Neste Tempo sem tempo,
Também já o esqueci ...
Finda assim a noite peregrina,
Sem texto, sem rima ,
Sem nada !
É isso que sou,
Ou o que de mim restou ...
Um dia, renascerei ...
E direi tudo que sei ;
Porque me tornei peregrino .
Porque nunca fui menino ....
Serra Mãe, 8 de Maio de 2006
Quim, Poeta e Sonhador
Adenda, em 13 de Janeiro de 2007
Agora sei ao que vim,
agora ... que aqui estou,
também sei o que sou ;
- Serei o Peregino
Homem-menino ,
Leão-cordeiro,
bondoso-matreiro,
Joaquim Afonso,
. Trovador, o da PAZ . Quando...
Quando meus olhos já não inventarem sonhos,
quando de minha boca deixarem de ouvir poemas,
quando meu corpo deixar de ter alma ...
Oh! Meu amor, dá-me no derradeiro adeus,
uma folha branca , apenas ...
~~
Entre nimbos e constelações,
quiçá, em profundos vulcões,
ou em abissais vales submersos,
onde minha alma pairar ...
farei trovas, farei versos ...
E, da terra ressequida,
somente humedecida,
de lágrimas de amor e de dor ,
nascerá uma flor .
Flor branca , talvez,
da minha alma lavada,
pelo Divino perdoada ,
do mal que tanto fiz .
~~
Mais flores nascerão,
talvez haja um jardim,
cada flor uma pena cumprida,
cada folha uma recordação ...
Só falta o teu perdão !
Serra-Mãe, antevisão do Juízo Final ...
Quim Trovador
( Poeta e Sonhador )
June 07 Hoje... e Sempre!
Hoje... e Sempre!
Acordo saudoso de ti ... ****
Quim Trovador
( Poeta e Sonhador) Respirar Poesia
Respirar Poesia
Hoje, decidi respirar Poesia ...
Fui ver nascer o Sol ,
despontar a Alvorada ...
Recolhi os restos da Madrugada
E sorvi teu gosto a Maresia ...
Hoje decidi que te quero !
Que vou esperar por ti
Como espero a cada noite
Deitar-me em teu leito,
Até de madrugada ...
Hoje decidi respirar poesia,
Cheirar teus cabelos,
Beijar tua boca,
com sabores da maresia ...
Naquela fantasia louca
De respirar Poesia
Hoje, decidi !
Serra-Mãe, 2007
Quim Trovador
( Poeta e Sonhador ) Jardins Proibidos
Paulo Gonzo
Poeta e mentiroso... DELICIOSO !
"" O poeta é um fingidor. ( Fernando Pessoa )
June 03 VELEIRO REI JESUS
DIOGO BERNARDES - 1520-1605
Diogo Bernardes
Discípulo de Sá de Miranda, foi poeta notável, principalmente no "gênero pastoril".
"Alguns de seus sonetos fazem lembrar Camões" - diz Jânio Quadros - que acrescenta ser Diogo possuidor de "notável senso de composição do soneto".
O rei D. Sebastião, que morreu na batalha de Alcácer-Quibir, havia escolhido esse poeta para cantar suas façanhas na empresa em que viria perder a vida.
Mostramos um de seus sonetos, que Mayer Garção incluiu na coletânea "Os Cem Sonetos" (1920):
Horas breves do meu contentamento,
nunca me pareceu quando vos tinha,
que vos visse tornadas tão asinha
em tão compridos dias de tormento.
Aquelas torres que fundei no vento,
o vento mas levou, que mas sustinha;
do mal que me ficou, a culpa é minha,
pois sobre cousas vás fiz fundamento.
Amor com brandas mostras aparece,
tudo possível faz, tudo assegura,
mas logo no melhor desaparece.
O cegueira tamanha! ó desventura!
Por um pequeno bem que desfalece
aventurar um bem que sempre dura!
D. JOÃO DA CÂMARA - 1852-1908
D. João da Câmara
Poeta suave e dramaturgo eminente.
Autor de dramas históricos em verso e comédias de costumes. Ocupou cargos públicos importantes.
Palmas a este delicado soneto:
Amortecera o lume da lareira;
no pálido clarão, que o fundo esmalta,
a minha fantasia, que se exalta,
vê passar mil visões, como em fileira.
Como as fagulhas correm na madeira
e morrem, passam elas na ribalta;
nem uma só lembrança ali me falta,
de tanto que passei na vida inteira!
O deixem-me sonhar um sonho infindo!
Dormir é reviver. Quero, dormindo,
viver o meu passado tão risonho!
Não me despertes, anjo da saudade...
Tanto sonho já foi realidade;
já foi realidade.., e agora é sonho!
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